Evolução dos Artrópodes

Os Artrópodes surgiram no registo fóssil durante o período Câmbrico juntamente com muitos outros grupos de Invertebrados. É um grupo claramente relacionado com os Anelídeos que, ou evoluiu dele, ou pelo menos de um antepassado comum. Esta semelhança reflecte-se sobretudo na segmentação, no plano geral do sistema nervoso e no tipo de desenvolvimento embrionário. Assim, esperar-se-ía que Artrópodes primitivos apresentassem um grau de segmentação acentuado, ou seja, serem compostos por numerosos segmentos cada um possuindo um par de apêndices semelhantes. De facto, alguns dos Artrópodes mais antigos possuem este plano corporal tendo existido no entanto, no decurso da evolução, uma tendência para reduzir a segmentação através do desaparecimento, da fusão ou da diferenciação de segmentos.

Na evolução dos Artrópodes o desenvolvimento de um exoesqueleto quitinoso, que é substituído por um maior quando o animal cresce (mudas), constituiu um acontecimento central, com o qual muitas outras modificações se relacionaram. O esqueleto, é constituído por peças, placas e cilindros, que se articulam entre si tornando o movimento possível. Os Artrópodes movimentam-se não por deformações do corpo, como os Anelídeos, mas utilizando apêndices locomotores específicos. Assim, o amplo celoma dos Anelídeos, importantíssimo para o movimento destes animais, é vestigial nos Artrópodes adultos. Também a musculatura, que nos Anelídeos se organiza segundo cilindros que envolvem e dão forma ao corpo, se modifica, constituindo nos Artrópodes, vários feixes que se fixam internamente ao esqueleto e actuam, tal como os apêndices, para elevar o corpo e permitir o movimento. Os apêndices especializaram-se não só no movimento mas também no desempenho de muitas outras funções tais como alimentação (captura e trituração de alimento), reprodução e captação de estímulos, acentuando a diferenciação das regiões do corpo originada pela diferenciação ou fusão dos segmentos. O grande sucesso dos Artrópodes está em certa medida correlacionado com a evolução dos seus apêndices.

A classificação dos Artrópodes é algo controversa. A maioria dos zoólogos concorda que existem provavelmente quatro linhas principais de evolução, que se acredita serem representadas pelas extintas Trilobites, pelos Quelicerados, pelos Crustáceos e pelos Uniramia. Contrastando com os grupos anteriores, que se pensa terem origem marinha, os Uniramia poderão ter evoluído em Terra. Alguma investigação recente, parece indicar que pelo menos os Uniramia e provavelmente também os outros 3 grupos de Artrópodes poderão ter tido uma origem separada de diferentes antepassados anelídeanos e a evolução das características dos Artrópodes (artropodização) deverá ter surgido, independentemente, pelo menos 2 ou mesmo 4 vezes. Se assim for, Arthropoda deveria ser considerado como um superfilo e Trilobita, Chelicerata, Crustacea e Uniramia como filos. Tal interpretação não é unânime mas, no entanto, certos autores mantêm as quatro linhas evolutivas separadamente e atribuem-lhes a categoria de subfilos mantendo Arthropoda como filo.