Habitats Naturais

O que é um habitat?

Sob o ponto de vista linguístico trata-se de uma forma verbal latina substantivada pela comunidade científica. Surgiu em tratados sobre fauna e flora redigidos em latim no século XVIII e entrou na nossa língua pelo francês, segundo o estudioso brasileiro Antônio Geraldo da Cunha (Dicionário Etimológico Nova Fronteira), que indica o dicionário Aulete como o primeiro que registou o termo em português (1881).

Sob o ponto de vista científico denomina-se  habitat ao  "endereço ecológico de um indivíduo", ou seja, o local onde esse indivíduo pode ser encontrado num ecossistema. De forma muito genérica, habitat é o lugar onde vive determinada espécie de animal ou planta. Em rigor, tudo o que está a sua volta é o seu habitat: o ar ou a água, a areia, as pedras ou folhas sob as quais se oculta, a humidade, etc.

O território continental português embora pouco extenso, possui uma grande variabilidade de habitats, o que lhe confere uma notória diversidade de paisagens.

A composição e a distribuição das formações vegetais, é modelada essencialmente por factores naturais, em função da variabilidade geológica, edáfica, climática, hidrológica, geomorfológica e biológica, e pela intervenção humana. A agricultura, o sobrepastoreiro, os incêndios e a implantação de inúmeras actividades turísticas sobretudo na orla costeira, têm vindo a destruir e a modificar a dinâmica natural dos habitats e, consequentemente conduzem a alterações na composição florística das comunidades vegetais alterando a composição química e o regime hidrológico dos solos.

Os seres vivos e, mais concretamente, as plantas, dependem directa e estreitamente das características edafoclimáticas do meio para se instalarem, isto faz com que as comunidades vegetais, por si só possam constituir o modo de caracterizar um determinado habitat, uma vez que a sua presença representa um óptimo indicador indirecto dos factores físicos que as condicionam.

Em 1992, a União Europeia adoptou a Directiva "Habitats" para a conservação dos habitats naturais e da fauna e flora selvagens. Os Estados-Membros devem proteger e preservar os habitats e espécies que são de interesse especial. Foram identificados 200 tipos de habitats, mais de 200 espécies animais e aproximadamente 500 espécies de plantas carentes de protecção.  Cada país é responsável pela identificação e designação de áreas especiais de conservação (SAC) onde essas espécies possam viver em segurança. Os planos devem combinar a preservação da natureza a longo prazo com as actividades sociais e económicas das pessoas, de modo a criar uma estratégia sustentável de desenvolvimento.

Essas áreas especiais de conservação estão incluídas na rede ecológica Natura 2000: uma rede de locais onde a vida selvagem é protegida e o desenvolvimento sustentável é encorajado. Essa rede já cobre 15% do território da União Europeia, o que é equivalente a uma área das dimensões da Alemanha.

Apresentamos aqui, não de forma exaustiva alguns habitats existentes no território português e algumas das espécies vegetais que os definem.

Deixámos ainda um apelo a todos para a conservação dos habitats naturais pois deles dependem grandemente os seres vivos, que para além de desempenharem um papel fundamental no ecossistema em que estão integrados, nomeadamente a nível dos ciclos geo-físico-químico da água, ar e solo, essenciais para a manutenção das condições ecológicas adequadas à vida, assumem uma importância vital para a preservação da biodiversidade.

Os factores de ameaça aos habitats naturais são uma realidade cada vez mais patente, devemos estar conscientes de que a destruição de um habitat pode resultar na extinção de uma ou mais espécies.